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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Pra não dizerem que não falei dos clássicos
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
O que o sapo tem a ver com as drogas? E com a nossa mente?
Olaaaaaaa neuroboys! Demos início ao assunto drogas no último post e para delírio da nação continuaremos agora a nossa conversa sobre o tema no que diz respeito à duas drogas interessantíssimas de serem estudadas: 5-MeO-DMT(5-metoxi-dimetiltriptamina) Bufotenina. As duas drogas agem como agonistas de serotonina não seletivos. (fonte http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3028383/?tool=pubmed)
5-MeO-DMT
Bufotenina
Antes de começar a falar sobre as drogas diretamente nós temos que entender um pouco de como elas são metabolizadas no nosso organismo e para isso você tem que saber o caminho da droga no nosso corpo.
Uma droga quando é metabolizada pelo nosso organismo segue por uma ordem de reações, sendo, portanto, reações de fase 1 e reações de fase 2.

Reação de fase 1 ou de funcionalização: redução, oxidação ou hidrólise dos compostos; adição de grupos tiol, carboxil, amina e hidroxila. A reação de fase 1 prepara a droga para a fase seguinte, gerando compostos mais ou menos ativos. Dentre as três reações apresentadas tem destaque a oxidação, da qual participa o Sistema citocromo p450. O citocromo p450 é uma droga polimórfica e já foram caracterizados no ser humano 57 citocromos p450. O citocromo p450 por ser polifórmico necessita diferentes nomes para os diferentes tipo, sendo utilizada a sigla: CYP2D6 para designar o citocromo p450(CYP) pertencente a segunda família, sub-famfília D e para dizer que na ordem de transcrição deste gene o que codifica este tipo de citocromo é sexto a ser lido.
Drogas indutora da atividade de diferentes citocromos
Drogas inibidoras da atividade de diferentes citocromos

Decidimos falar dessas drogas quando começamos o nosso projeto, pois são drogas produzidas por animais e inclusive produzidas por nós, seres humanos, mesmo que em baixíssimas quantidades quando em pessoas ‘saudáveis’ em certos aspectos.
5-MeO-DMT e bufotenina são produzidas por sapos do gênero bufo, especialmente pelo nosso querido sapo cururu (Bufo marinus; Rhinela marina). O veneno destes anfíbios, conhecido como bufotoxina, é rico em diversas substâncias tóxicas e alucinógenas, podendo conter também serotonina. No nosso corpo são tidas como psicotoxinas endógenas e estão presentes em diversos fluidos corporais, como urina, fluido cerebroespinhal e sangue.
Metabolismo do 5-MeO-DMT

É importante dizer também, que quando produzido no nosso corpo, o 5-MeO-DMT provém da serotonina, neurotransmissor relacionado com diversos papeis na homeostase, inclusive no reconhecimento de certas doenças da mente. Baixos níveis de serotonina ou a degradação desta de forma muito rápida pela monoamino oxidase-A(MAO-A) na sinapse podem ser sinais de depressão por exemplo.
Veja a semelhança entre a estrutura da serotonina e das drogas apresentadas:

As duas drogas são metabolizadas sofrendo uma desaminação pela monoamino oxidase-A(MAO-A), enzima presente no sistema nervoso, hepatócitos, entre outros. No entanto, ambas geralmente são consumidas com uma droga inibidora desta enzima, a harmalina, que também causa alucinações, deste modo o usuário sofre de um triplo estímulo à alucinação. A transformação de 5-MeO-DMT é realizada por CYP2D6, a mesma enzima que degrada a harmalina. Outra consequência, além da maior intensidade das alucinações, de as drogas serem consumidas com harmalina, é que bloqueando a MAO-A a droga também aumenta a quantidade de serotonina nas sinapses, fazendo com que a serotonina se ligue repetidamente aos receptores. Um inibidor potente de MAO-A (IMAO) como a harmalina se consumido em altas quantidades pode levar a pessoa a um quadro de intoxicação por serotonina e até a morte. As sinapses ficam da seguinte maneira:

Em experimentos com dois tipos de citocromo p450 2D6 (citocromo 'humanizado': TD-CYP2D6 e citocromo selvagem: Wild-type) foi demonstrado que a harmalina não só inibe, mas que também possui uma capacidade inibitória compatível com o poder de degradação do citocromo no meio, ou seja, quanto maior a eficiência do citocromo, maior o poder inibitório da harmalina. O experimento sugere também que a harmalina, no mínimo, induz a ligação de serotonina aos receptores HT1A, que promovem um abaixamento da temperatura do corpo.

Esse gráfico retrata simplesmente a produção percentual de bufotenina em relação à quantidade de 5-MeO-DMT administrada. Mostra este dado com e sem a adiministração de bufotenina e evidencia a maior exposição do sujeito às drogas quando a harmalina também é administrada e quando não é:

Sobre o 5-MeO-DMT é muito interessante a hipótese de que esta droga, por ser alucinógena e endógena, pode ser a razão por que nós sonhamos. Fatos que reforçam esta ideia são que usuários da droga afirmam passar por projeção de pensamentos, e esta droga é produzida pela glândula pineal, fundamental no estabelecimento do sono. O que é o sonho senão uma projeção daquilo que estamos pensando enquanto dormimos?
As drogas(5-metoxi-dimetiltriptamina e bufotenina) também podem estar relacionadas com alguns distúrbios mentais como esquizofrenia e autismo em crianças. Alguns dados reforçam esta crença:
Pesquisa 1:
Doses elevadas de bufotenina foram encontradas na urina de:
Todos sujeitos avaliados que eram autistas com retardo mental e epiléticos (n=18).
32/47 pacientes autistas com retardo mental
15/18 pacientes com depressão.
13/15 sujeitos com esquizofrenia
apenas 2/200 pessoas tidas como 'normais' em relação a distúrbios mentais.
Não se sabe ao certo a relação dessas doses elevadas com os distúrbios da mente, no entanto, em autistas pôde ser verificada uma relação de que quanto maior era a concentração de bufotenina na urina, maior era o grau de hiperatividade do paciente com autismo.
Por hoje é só neuroboys. MUITO OBRIGADO E ESPERO TER AJUDADO!
fontes de pesquisa:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20150873
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20942780
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3028383/?tool=pubmed
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8747157
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21464174
http://jpet.aspetjournals.org/content/294/1/1.full
http://en.wikipedia.org/wiki/5-MeO-DMT
http://en.wikipedia.org/wiki/Bufotenin
http://www.fag.edu.br/professores/yjamal/Fisioterapia%20Farmacologia/Farmacocin%E9tica.pdf
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Como opera o mecanismo de funcionamento bioquímico dos fármacos antidepressivos baseados na modulação da concentração de neurotransmissores?
rina , a dopamina e a serotonina, fazendo com que esses permaneçam por mais tempo na fenda sináptica. Quando esses neurotransmissores ficam por mais tempo na fenda, seus efeitos são potencializados e antagonizam os sintomas da depressão.O problema é que existem efeitos colaterais por causa da sua inespecificidade, pois ele acaba interagindo também com os sistemas histaminérgicos e colinérhicos.
Outro antidepressivos atuam inibindo enzimas como, por exemplo, os inibidores da enzima monoamina oxidase(MAO). A MAO tem função de degradar monoaminas como a dopamina, a norepinefrina e serotonina. Inibindo essa enzima é possível fazer com que os neurônios armazenem mais neurotransmissores dessa natureza, e quando forem liberados na fenda sináptica terão seus efeitos potencializados. E da mesma maneira que o exemplo anterior, ele age antagonizando os sintomas da depressão.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Barreira hematoencefálica e drogas
Para descrever e tornar mais ‘visível’ a compreensão de como a BHE nos protege é bom começar falando sobre como ela foi descoberta; e para isso falaremos dos experimentos conduzidos por Paul Ehrlich, Reese e Karnovsky.
Tudo começou quando Ehrlich, ao aplicar corante vital na circulação arterial e venosa percebeu que, com exceção do sistema nervoso central (CNS), todos os tecidos haviam adquirido a coloração do corante injetado. Surgiu então a hipótese, posteriormente confirmada por Resse e Karnovsky, de que a medula espinhal e o sistema nervoso central desfrutavam de uma barreira contra certas substâncias. Reese e Karnovsky mostraram, ao analisarem a estrutura dos capilares do SNC, que as células endoteliais que os compõe não possuem fenestrações (aberturas) que permitam uma passagem pouco específica de diversos compostos, comprovando então a proteção extra do SNC.
A BHE pode então ser comparada à uma barreira alfandegária, no sentido de que do mesmo modo que só passam pelas fronteiras aquilo que não afetará negativamente o país, só passará pela BHE aquilo que não prejudicar a homeostasia do sistema nervoso central, mais ainda, passará majoritariamente aquilo que for contribuir para este bom funcionamento. Todos sabemos, no entanto, que a eficiência da barreira alfandegária não é total, haja vista que existe não só fluxo ilegal de pessoas como também de drogas, etc. Do mesmo modo é a barreira hematoencefálica: por melhor que seja a sua proteção ela possui falhas, e são por essas falhas que passam as drogas. Para melhorar sua proteção a barreira conta com células como astrócitos e pericítos, que se ligam aos capilares dificultando a difusão inespecífica de substâncias para o SNC.
Endotélio na barreira hematoencefálica
A BHE como já foi visto constituiu primeiramente uma barreira física, fornecendo também uma barreira celular e bioquímica. Apesar do foco na bioquímica, por muitas vezes falaremos não também da barreira celular, pois ambos mecanismos andam quase sempre juntos.
Muito foi falado sobre a BHE nos proteger. Agora a pergunta é: que substâncias passam por essa barreira, como passam e como ela nos protege bioquimicamente?
Sendo a membrana das células endoteliais composta por uma dupla camada fosfolipídica, as moléculas lipossolúveis facilmente passam pela barreira sem necessitar de subterfúgios para tal. Já as moléculas hidrossolúveis necessitam, como estrangeiros fora de seus países, de passaportes para passarem pela dupla camada. Os passaportes para essas inúmeras substâncias são canais e proteínas altamente específicos acoplados à membrana celular que permitem a passagem de compostos necessários ao encéfalo.
Para começarmos a falar sobre drogas é preciso estabelecer alguns conceitos:
Drogas: A medicina atual define droga como qualquer substância, sintética ou natural, que é capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. (fonte: http://www.unimeds.com.br/layouts/capa/tematico_drogas.asp?site=26&mat=2144)
Existem também as chamadas drogas psicotrópicas e psicoativas, sendo o primeiro tipo caracterizado, segundo a OMS, por sua ação no Sistema Nervoso Central alterando comportamento, cognição e humor; são capazes também de causar dependência por possuírem propriedade reforçadora, que consiste na capacidade da droga de criar comportamentos característicos do uso da droga. (fonte:http://www.mp.go.gov.br/drogadicao/htm/drg_art01.htm)
Os compostos psicoativos são aqueles que alteram comportamento, humor e cognição, agindo preferencialmente nos neurônios e também afetando o SNC. (fonte:http://www.imesc.sp.gov.br/pdf/artigo%201%20-%20DROGAS%20PSICOTR%C3%93PICAS%20O%20QUE%20S%C3%83O%20E%20COMO%20AGEM.pdf)
Tanto as drogas psicoativas como as psicotrópicas, por afetarem diretamente o SNC, atravessam a barreira hematoencefálica. Drogas como LSD, opiáceos, álcool e o próprio tabaco o fazem.
Chegamos, finalmente, ao final deste primeiro post mas não sem mostrar um aperitivo sobre o que será tratado nas próximas postagens relacionadas. As imagens seguintes retratam alterações comportamentais em aranhas quando diferentes drogas são administradas em tais animais. Essas mudanças causadas pelas diferentes drogas ficam evidentes na construção das também diferentes teias, como demonstrado pelas imagens:
Por hoje é só neuroboys! Muito obrigado por nos acompanharem e espero ter ajudado!