sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Esquizofrenia e os Neurotransmissores





A etimologia da palavra Esquizofrenia nos fornece o seu significado, que é divisão da mente (Skizo = cisão e Phrenos = mente). A doença é um transtorno psiquiátrico idiopático bastante complexo, que agrega quadros com uma grande diversidade sintomática. Os primeiros sinais da doença aparecem mais comumente no início da fase adulta. Apesar de poder surgir repentinamente, o quadro mais frequente tem início de maneira vagarosa. Sintomas prodrômicos pouco específicos, incluindo perda de interesses, isolamento, negligência com a aparência pessoal e higiene, podem surgir e permanecer por algumas semanas ou até muito antes do aparecimento de sintomas mais característicos da doença.

A causa mais aceita da doença é que as pessoas esquizofrênicas sofrem de um desequilíbrio neuroquímico. Apesar de a disfunção dopaminérgica, onde é descrita uma hiperfunção dopaminérgica central, estar bem estabelecida na esquizofrenia, uma série de experiências indica o envolvimento de outros sistemas neuroquímicos. Fatos sugerem que uma hipofunção do sistema glutamatérgico também esteja envolvida na fisiopatologia do transtorno. Esse é o sistema excitatório mais amplamente distribuído pelo Sistema Nervoso Central (SNC) sendo o seu principal neurotransmissor o glutamato; esse sistema está relacionado com funções cognitivas fundamentais, como memória e aprendizado.

Há dois tipos de receptores no sistema glutamatérgico: os metabotrópicos e os ionotrópicos.O primeiro tipo atua por intermédio de mensageiros secundários, ativados por uma determinada proteína, enquanto osegundo tipo atua através de um fluxo de íons de sódio e potássio e ainda é subdividido em receptores não-NMDA e receptores NMDA.


Estes receptores NMDA são constituídos por duas subunidades, que possuem isômeros e a combinação desses isômeros gera receptores com diferentes afinidades específicas. O receptor que tem afinidade por glutamato funciona quando o canal iônico, que, em repouso, está ligado a íons de magnésio (Mg2+) que bloqueiam o influxo de íons cálcio (Ca2+), é ativado através de três passos. Primeiramente, há uma ligação do neurotransmissor glutamato, em seguida a ligação com a glicina, que é um co-agonista obrigatório e por último, ocorre uma despolarização da membrana pós-sináptica. Em consequência desses três passos, há uma mudança conformacional alostérica do receptor, diminuindo sua afinidade pelo Mg2+, que se desloca e permite o fluxo iônico através do canal.


Os receptores NMDA são capazes de amplificar os impulsos neurais, analogamente ao mecanismo dos amplificadores de guitarras elétricas, que transformam sons fracos em sons mais fortes. Quando amplificam seletivamente alguns estímulos neurais importantes, esses receptores ajudam o cérebro a responder efetivamente algumas mensagens e a ignorar outras, o que facilita foco mental e a atenção.

A relação do sistema glutamatérgico com a esquizofrenia está embasada no fato de existirem algumas drogas antagonistas do receptor NMDA, como o PCP, popularmente conhecido como pó de anjo, que ao interagir com o sistema glutamatérgico promove um bloqueio do receptor NMDA e induz sintomas muito semelhantes aos sintomas esquizofrênicos. Um fato importante é que os antagonistas do NMDA não induzem tais sintomas psicóticos em crianças, explicando a grande incidência de esquizofrênicos adultos, o que sugere que tais sintomas só ocorrem depois de uma certa maturação do SNC.

Figura - Representação hipotética associando a hipofunção cortical (redução da atividade de receptores NMDA) e os sintomas da esquizofrenia.

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Essas alterações do sistema glutamatérgico não estão envolvidas apenas na esquizofrenia, mas também em diversas doenças neurológicas como epilepsia, doença de Parkinson, entre outros.



Bibliografia

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